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Artigos e entrevistas, Brasilia

Brasília | Dia a dia #3 | Fronteiras abertas?

A noite de quarta-feira foi uma surpresa. No início da primeira sessão, havia poucas pessoas na sala. Logo a apreensão foi sendo superada, com a chegada do público, que aos poucos se juntou aos participantes do debate para acompanhar a história de imigrantes que saem do norte da África em busca de melhores condições de vida na França, como mostra La traversée.

Com o fim da primeira sessão, logo vêm as dúvidas: como será a seguinte? Terá mais público? Eles vão gostar do filme? De repente, a sala do Cine Teatro SESC Presidente Dutra fica cheia. Alunos e professores do curso de alfabetização de jovens e adultos e supletivo do SESC tomaram seus lugares e se emocionaram com a trajetória dos trabalhadores nordestinos que vão trabalhar como cortadores de cana em São Paulo. Durante os filmes, comentários e lágrimas de parte da platéia.

O debate começou com a participação de Orlando Fantazzini, consultor do Instituto Migrações e Direitos Humanos professora Dacia Ibiapina, coordenadora do departamento de audiovisual da

Universidade de Brasilia, Patricia Rangel, doutoranda em Cências Politicas, que foi repatriada da Espanha, e Adriana Telles Ribeiro, assessora do departamento consular e de comunidades brasileiras no exterior do Ministério das Relações Exteriores.

O mundo está dividido entre turistas e vagabundos”, explicou Patrícia, usando as categorias criadas por Zygmunt Bauman. Para os turistas, ou aqueles que têm condições de interagir com o mundo do capital, todas as fronteiras estão abertas, enquanto os vagabundos não contam com a mesma mobilidade. Patrícia foi repatriada após passar 50 horas no aeroporto de Madri, tendo sua entrada recusada na União Européia sem motivos objetivos, experiência que ela vai relatar com detalhes num livro que será editado ainda em 2009.

Para ela, os países cada vez mais impõem barreiras para impedir a livre circulação de pessoas, sobretudo aquelas que vão para países desenvolvidos. Adriana Telles Ribeiro, assessora do departamento consular e de comunidades brasileiras no exterior do Ministério das Relações Exteriores, relata que histórias como a de Patrícia se torna uma experiência cada vez mais comum a outros brasileiros que tentam ir para o exterior, o que pode indicar a adoção de uma política de Estado para criar barreiras para estrangeiros. Para Fantazzini, os motivos para isso são principalmente econômicos.

Atenta à emoção da platéia, professora Dácia falou das dificuldades que os nordestinos vivem, do problemas provocados pelos grandes latifúndios, pela falta de acesso à terra, condições que os forçam a buscar melhores condições de vida, mesmo que isso signifique o trabalho no corte da cana-de-açúcar. O gancho foi aproveitado pelos professores, que, emocionados, compararam os desafios que os alunos enfrentam no dia-a-dia às dificuldades dos retirantes. E um aluno arrematou o debate contando o que sente quando volta para o Piauí para visitar seus parentes.

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